sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Mensagem na Garrafa

   Era manhã de domingo, ela caminhava na parte mais isolada da praia, assim como todas as outras vezes que queria esquecer do mundo.
   Ela viu o sol nascer, brotando do mar, no horizonte. Viu as fragatas voando sobre um barco pesqueiro enquanto este voltava para a praia. E ela pensou em sua vida, no que já tinha feito e deixado de fazer. Pensou em todas as brigas e discussões que tinha tido, em seus amigos, na sua família e, embora sua vida fosse boa, ela ainda achava que faltava algo essencial.
   Depois de tanto andar, resolveu sentar sob a sombra de duas palmeiras que crescia na areia da encosta. Seus olhos ficaram pesados, e a tristeza de seus pensamentos fizeram lágrimas rolarem pelas suas bochechas, molhando a fina areia que estava entre seus pés.
   Ela quis se livrar também das lágrimas, e decidiu que não choraria mais por causa da vida, nem mesmo por um motivo qualquer. Assim, limpou de forma abrupta as lágrimas, dando forças a si mesma pra enfrentar e manter sua nova decisão.
   Com esta mesma força ela se levantou decidida a seguir sua vida, mas algo tirou a sua concentração, algo refletia a luz do sol em seus olhos. Ela deu alguns passos para o lado e procurou o que era. No mar, a alguns passos da areia, havia uma garrafa de vidro, ela vai até lá.
   Era uma garrafa transparente rolhada, e dentro dela estava um papel enrolado. Curiosa, ela desrolhou a garrafa e tirou o papel, o abriu, e começou a ler o texto.
   Seus olhos marejavam a medida que seguia as palavras escritas à caneta e, quando chegou ao final da leitura, ela enrolou o papel e o guardou novamente na garrafa, rolhando-a em seguida.
   Ela sentou novamente debaixo das palmeiras e refletiu sobre o texto da garrafa.


   'Acho que agora eu encontrei o sentido que tanto procurava. A vida sempre segue, e há outra pessoa precisando desta carta, assim como eu.'


   Ela entrou no mar até a cintura e, com toda a sua força, arremessou a garrafa ao mar. Olhou-a por um tempo, até ter certeza de que o mar a estava levando novamente, e então voltou a praia. Dando uma ultima olhada ao mar tentando ver a garrafa, ela dirigiu em direção a sua casa, mas dessa vez mais decidida a viver, pois ela sabia que agora tudo iria mudar e que sua vida nunca mais seria a mesma.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

    E estamos juntos,abraçados... O encontro que sempre quisemos, acontecendo. Eu olho pra você e seu sorriso me contagia, me fazendo sorrir tambem. Você me abraça um pouco mais e me dá um beijo carinhoso na cabeça enquanto estamos sentados vendo o pôr do sol.
    Tudo perfeito, mas algo me incomoda... algo está errado.

    E então escuto o despertador... então levanto da cama... então era tudo um sonho.
    Mais um dia estou distante de você, mais uma vez o dia se inicia. Mais uma vez queria viver aquele sonho.

Raiva

    A adrenalina o dominava, mas com esforço ele conseguiu ver o que estava acontecendo. Seus olhos viam, mas sua mente era incapaz de processar aquela imagem.
    O lugar que antes era a sala de sua casa, agora estava em um estado lastimável. Móveis quebrados por todo o comodo, os estofados rasgados, espuma e cacos de vidro por todo o chão. O lugar estava em ruínas.
    Enquanto a adrenalina diminuía ele andava pelo comodo, afim de recordar de algo... de ver sentido naquela cena de destruição. Porém ao chegar em seu quarto, sentiu seu corpo gelar. Na cama estava sua esposa, deitada de um modo estranho e anormal.
    O desespero se faz presente e, querendo provar o que sua mente dizia estava errado, ele vai até ela e com receio, a vira. Seu coração parece parar. Lágrimas incontroláveis saem por seus olhos, enquanto os mesmos veem sua esposa morta com uma faca cravada em sua barriga. Ele se deixa cair no chão.

    'O que eu fiz?... Meu Deus. O que eu fiz?'

    Lapsos de uma discussão vem a sua mente.
    Sua esposa estava aos gritos e a raiva o estava tomando. Ambos quebravam as coisas, tentavam acertar um ao outro em uma briga como jamais tiveram. E no fim, a raiva o tomou, fazendo-o pegar a faca e, em um golpe bruto, atingir sua esposa.
    Ela o olhou nos olhos
    - Eu apenas te amo. Sempre te amei.
    'Mentirosa!' - Ele berrou ao acertar ela com um tapa no rosto.

    Ela saiu cambaleando para o quarto, e ele, tomado pela raiva, quebrava o que via pela frente.
    E agora que a raiva tinha passado, ele via o que tinha feito, mas é tarde demais e só resta uma única coisa a fazer.
    Secando as lágrimas do rosto, ele tirou a faca de sua esposa e em um movimento rápido, acerta seu próprio peito. A dor o toma nos braços, seus sentidos se confundem. Algo quente escorre pelo seu corpo, ele cai e seus olhos se fecham para nunca mais.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como se a brisa da manhã fosse sua amada,
Ele a deixou tocar seu rosto, e seu corpo.
Sua pele sensível reagiu,
Com um arrepio que lhe varreu por inteiro.


Ele respirou fundo antes de esfregar as mãos nos braços.
E virando nos calcanhares entrou sala a dentro,
para fazer sua refeição matinal.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Padre

     'In nonime Patris, et Fílii, et Spitiui Sancto. Amen.' - Foram as suas ultimas palavras, dando por fim a cerimonia.
     Enquanto ele guardava a Santa Bíblia, tinha a vista privilegiada de seus atos sendo consumados pelas chamas que purificavam mais um herege. O brilho das chamas era gratificante em um inverno intenso como aquele, e os gritos nada mais eram do que o sinal de uma alma purificada. O êxtase que ele sentia era tanto, que o fez lembrar do monastério em que fora criado.
     'Pai, abençoado foi o dia em que me acolheu em seu meio e confiou em mim a missão de purificar a face da terra.'
     Ao final da Cerimônia na praça ele seguiu para a igreja, dirigiu-se a frente do altar e se ajoelhou.
     Era assim todas as manhãs, todos os dias. Pois sua purificação tinha que ser assim, pois seus pais foram fracos. Nascido de um casal de camponeses, foi adotado pelo convento ainda bebê quando seus pais foram a fogueira por heresia. Cresceu e estudou entre os padres do monastério até que se tornou um padre capacitado. Capacitado a proteger a população, a defender as palavras divinas, a santa igreja e a purificar as almas que eram hereges, assim como foram seus pais.
     Por isso ele tinha que se purificar todas as manhãs, para que o sangue que corria em suas veias não o fizesse cometer o mesmo delito de seus pais.
     'Per signum crucis, de inimicis nostris libera-nos Deus noster.'

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Jantar em família

   Todos juntos, família reunida a mesa para mais um jantar.
   Muitas conversas, risos, brincadeiras e a nostalgia sempre presente em um momento ou outro. Eu apenas observo enquanto mágicamente, faço meu copo de coca-cola ficar cada vez mais vazio. Dando, uma vez ou outra, um sorriso para concordar em algo.
   Os mais 'sábios' sempre felizes por verem a família reunida e, ao mesmo tempo, bravos por ser um jantar e eles quererem dormir, afinal já passa das 21h.
   Os pais, comentando sobre a vida, o trabalho e relembrando suas histórias de infância, enquanto os netos ficam mais afastados, rindo de todos os outros. Daquela tia chata, da prima sem noção, dos avós que sempre falam a mesma coisa em todos os almoços ou jantares em família.
   Eu apenas observo... tranquilamente... com calma... Minha família é boa, eu penso, temos nossas brigas, discussões, mas sempre estamos juntos.
   Encho meu copo novamente, afinal a noite ainda não acabou. Ainda tem refrigerante... ainda tem parentes... e os 'sábios' ainda estão acordados.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ignis Fatuus

     Era uma noite escura, assim como todas as outras. Ele era um viajante, assim como todos os demais. Porem, aquela região era diferente.
     Alguns camponeses diziam ser amaldiçoada, outros que era abitada por demônios, mas ele em nada acreditava. Por ser um viajante era comum ouvir muitas lendas e histórias de maldições fajutas.
     Era uma noite fria de outono e, por causa da lua minguante, ele caminhava com sua lanterna a mão, enquanto carregava seus pertences numa bolsa de couro em suas costas.
     Para não se sentir solitário, tinha pegado o costume de caminhar cantarolando canções, das mais diversas regiões e dos mais diversos tipos. Cantava sobre amores, viagens, sentimentos e histórias de antigos heróis, mas sempre em um sussurro, pois assim como a noite trazia a paz e o silencio a suas viagens, as estradas também tinham seus próprios perigos que o espreitavam de perto em um silencio tão profundo como o escuro de uma noite de nuvens.
     Enquanto caminha cantando uma música sobre uma bela jovem que estava a espera de seu amado, ele avistou uma luz tênue dentre as árvores a sua esquerda. Sua vivência o ensinara a ter esperteza suficiente para o fazer parar e ficar a espreita. A princípio, ele imaginou ser um outro andarilho, mas notou que a luz mudava de verde a um azul. Forçou seus olhos a focarem melhor o luz, ela possuía  uma aparência espectral e se precipitava do chão.
     Como nunca vira algo assim em todos os seus anos de viagens, ele deixou seus pertences em uma moita próxima a estrada e adentrou a mata, se aproximando cada vez mais da luz. Agora a uma pequena distância dela, ele a via nitidamente. Era como se fosse uma chama que flutuava do chão suavemente. Ele adorou a sua aparência suave e seus movimentos rústicos ao vento.
     Se aproximou um pouco mais e encontrou uma terra fofa que fez seus pés afundarem alguns milímetros, no mesmo instante em que a luz aumentou o dobro do seu tamanho.
     "Ignis Fatuus." - Uma voz ressoou cortando o silencio noturno. Seu corpo gelou, tanto pela luz quanto pela voz rouca.
     "Ignis Fatuus... esse é o nome meu rapaz. Ignis... Fatuus."
     Ele se virou e, para sua surpresa, um senhor estava parado a alguns passos atrás dele.
     - Desculpe, mas o que é Ignis Fatuus?
     "A luz que observa a algum tempo. Chamada por alguns de Luz dos mortos, Chama dos Lagos ou Pântanos."
     Ele olhou novamente para a luz e a viu diminuir até desaparecer completamente. Voltou-se para o senhor, mas ele já não estava mais em parte alguma da floresta.
     Enquanto ele voltava a caminhar pela estrada com todos os seus pertences, teve a certeza de que, pela primeira vez, encontrou uma história verdadeira.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Nos olhos de quem vê

Sempre tenha flores em seu quarto.
Sempre colha as flores antes do amanhecer,
Enquanto o orvalho ainda cai.
E quando o sol começar a raiar no horizonte
Abra a tua janela, deixe o raiar do sol entrar.

Sinta que a vida existe, sinta a sua beleza.
Deixe que as flores perfumem seu ambiente.
Deixe o sol do novo dia iluminar-te.
Abra o melhor dos teus sorrisos e saiba
Toda a beleza do mundo está nos olhos de quem vê.

sábado, 3 de setembro de 2011

Apenas uma troca de olhares


Veículos, paisagens e pessoas. Todos com seus propósitos, pensamentos e destino traçado.
É tudo o que se percebe do lado de dentro de um ônibus.
Sentado, vejo e escuto todos a minha volta. Suas conversas vão de trabalho a lazer, de gastronomia a desavenças familiares. É sempre assim.
Mas eis que alguém entra e atrai minha atenção. Meus olhos são atraídos para aquele rosto em específico por um motivo desconhecido até então. Nossos olhares se encontrar e tudo parece ficar mais lento. Ambos sucumbem a timidez e disfarçamos, mas é impossível conter aquele sorriso bobo.
Nos dez minutos q se seguem de viagem, o fluxo de pessoas impede que possamos nos ver novamente. Me levanto pois meu destino se aproxima. Ao chegar na porta de saída, como de costume olhei para trás e, novamente, nossos olhares se encontraram e se mantiveram pelo tempo que a nossa timidez deixou.
O ônibus para e a porta se abre. Eu desço enquanto o ônibus parte com todos os outros os outros. Embora somente eu tenha decido, aquela troca de olhares me acompanhou o dia inteiro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A brisa na tempestade


E derrepente o tempo mudou. O Azul de um céu ensolarado se escureceu. As poucas nuvens brancas como algodão, foram varridas e substituídas por pesadas nuvens d chuva enegrecidas. E o vento... Aquela suave brisa que acariciava meu rosto tornou-se agressiva quando ventos fortes chegaram com a tempestade.
Enquanto todos tentavam se proteger de uma forte chuva que se tornava iminente, eu apenas parei e fiquei observando a maravilha da natureza.
O vento ficou mais forte e já podia-se ouvir os assovios que ele dava ao girar por perto.
Estava ficando mais frio, mas fui acometido, em plena ventania, por uma morna brisa, suave e calma de uma forma que chegava a ser acolhedora. Em meio a brisa, uma voz fez-se ouvir
“Estou voltando.”
A chuva desceu forte enquanto minha certeza aumentava e minha alegria me fazia sorrir.

-Ela está voltando... está voltando.

Enquanto saia dançando sob a tempestade q descia, deixei uma gargalhada de felicidade no ar.

-Irei te esperar, sempre.

domingo, 28 de agosto de 2011

Música de Eurídice


Veja e ouça os sinais... logo estarei de volta.
Sinta meu amor que será, acima de tudo o que existe, teu.
Quando a distância se fizer presente,
Quando sentir-te triste com minha ausência,
Veja a beleza da natureza, escute o som dos animais
E sinta que para sempre ei de viver por ti e para ti.

Jamais te abandonarei meu querido Orfeu,
Em nenhum momento estarás sós.
Mesmo que minha essência se desfaça,
Mesmo que tudo acabe,
Meu ser será eternamente teu.

domingo, 21 de agosto de 2011

Águas bombeadas por um Coração Azul


(Bruno Brechane)
Ser azul não é apenas ser calmo...
É sofrer também.

Como o mais formal dos reis sofre por não expressar suas emoções.
Como a rainha, é prisioneira de sua moralidade.

Um sentimento que os olhos não podem demonstrar.
Mas que o coração conhece bem.

Ele é uma parte de mim
Assim como a harmonia faz parte de um ser azul.

A harmonia de um ser que sente, que sabe que sente,
Mas que não se deixa ser.

Um ser azul... Não erra!
Mas também não se deixa errar.

Pois é um tanto científico...

Cheio de frases bonitas em seu vocabulário.
Mas sem ninguém em seu coração.

Busca inspiração em seus pontos fortes
Como em sua armadura de aço.

Que exibe sua beleza,
Sua resistência,
Sua maleabilidade diante das situações.

Mas mesmo assim...
Ele sabe que
Esconde o azul de sua frieza,
De sua dor,
E de sua tristeza.

É a armadura que protege...
E que ao mesmo tempo não permite as feridas de serem curadas.

Resta a ele chorar...

Mas escondido!
Para ninguém olhar.

Pois um coração vazio
É letal...
É um percurso de um longo rio
Que já não parece mais ter final.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Carvalho na colina


Ele subiu a colina. Nem se importava com a tempestade que ameaçada desabar sob o céu. Levava em suas mãos, uma pá e seu violão.
Ele prometera fazer aquilo quando ainda era criança, e agora que estava para partir, iria cumprir sua palavra.
Ao chegar ao topo da colina sentou-se, e pela ultima vez tocou sua música predileta. Se levantou e começou a cavar.
Quando a cova estava pronta, ele colocou seu violão deitado, e dentro dele, uma muda de carvalho que trouxe dentro de sua camisa.
Então ele plantou a muda em seu violão, e seu violão no alto da colina. Ele sabia que a vida não o deixaria voltar naquele lindo lugar, mas sabia que sua passagem ali seria eternizada pelo carvalho na colina.
A tempestade desceu, junto com uma lágrima.
Ele prometera a seu pai, e cumpriu sua palavra. Ele estava orgulhoso de ser alguém como seu pai, e desejou que ele estivesse ali, com ele.
Ele olhou aos céus, e disse:
"Pai, deixo seu violão no lugar que o senhor mais gostava. Deixo com ele a muda de seu grande sonho 'o carvalho na colina' e, como eu disse, cumpriria seu sonho. Agora seguirei o meu e levarei você sempre comigo.”

sábado, 13 de agosto de 2011

Final


Ninguém por perto, somente eu e a solidão.
Por que estou sempre só?
Até meu anjo já se foi.

Meus amigos me deixaram para trás.
O que houve comigo?

Onde está você?
Sempre te procurei,
A anos nesta busca incansável.
Mas uma hora tudo irá terminar,
E minha busca chegará ao fim.

Quando meu corpo enfim tocar o chão,
A dor me libertará desta busca.
E a morte me salvará de você.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Auto desprezo


Manhã de quinta, o sol começa a derramar seu brilho sobre a cidade. A claridade que afasta o breu noturno revela a solidão e a tristeza, o desprezo e a indignação.
            Ela estava sentada na calçada, do lado de um motel de quinta, no subúrbio da cidade. Pela primeira vez, ela odiou o sol nascente. Ele revelava ao mundo o seu estado deplorável.
            Seus cabelos estavam espessos de sujeira e suas roupas estavam esfarrapadas. O único indício de vaidade que lhe restava era um batom vermelho em seus lábios, que por sinal, era muito forte e não ajuda a melhorar a sua aparência.
            Ela pegou sua pequena bolsa, retirou um maço de cigarros e riu, sarcasticamente, ao constatar que só tinha mais um cigarro. Com um fósforo, acendeu seu ultimo pertence, o olhou, e começou a tragar sua ultima regalia.
            Em um impulso de raiva e desprezo, ela atirou sua bolsa no asfalto da avenida que se estendia a sua frente. Ela tinha consciência de seu estado, e sabia que a vida a venceu. Antes, era uma moça de uma família simples, agora uma indigente, uma andarilha que sentia ódio por ser quem era e por ter se entregado sem ter ao menos lutado.
            Seu cigarro acabou, o sol já estava alto e a cidade estava ativa.
            Ela se levantou com alguma dificuldade pela quantidade de tempo que passou sentada na calçada fria, arrumou sua saia até os joelhos, foi até a avenida e pegou sua bolsa.
            Um carro quase a atropela. Ela xinga o motorista, pragueja o sol, a cidade e a ela mesma, enquanto vai em busca de um novo lugar para ficar.

Ceifador


Quem sois vós?
Que prepara a chegada da morte,
Que deixa vossa triste marca por onde passa.

Quem pensas que é?
Que direito tens para agir assim?
Quem deu a vós este dom?

Deixaste vossa marca novamente.

Mais uma vida condenada,
Mais um ser em sua lista.

Será que vós sois um colecionador?
Ou será que somente condena os vivos?

Marcaste mais um.
Um condenado sem culpa,
Sem poder se defender.
Mas condenado a morte.

Vosso trabalho não é digno,
Mas faz-se necessário.
Vós sois o Ceifador de Almas,
A última visita que receberemos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Vida, Rosas e Esperanças.

(Bruno Brechane)
Em um mundo vasto de tranquilidade, eu vi senhor,
Um anjo que estava dando uma olhada nas minhas rosas.
Parecia estar tão alegre, sorrindo,
Como se a vida fosse de eterna gratidão...
Como se a vida fosse um mar de rosas.

Eis então que o perguntei, o porquê de estar lá.
E ele me disse sorrindo:
Meu caro, suas rosas são lindas. Elas tem o aroma da minha querida amada,
Que hoje habita zonas superiores a esta.
Mas não se engane. Esse lugar é maravilhoso, digno de você.

E eu então, comovido com as belas palavras do senhor anjo,
Parei para olhar tudo a minha volta.
Realmente... era tudo maravilhoso.
O vento soprava... Vagarosamente. Trazendo polens e esperança.
A esperança, de ter uma amada, que tivesse um sorriso tão lindo quanto os dos anjos.
Para que eu pudesse lhe dar as minhas rosas... O meu carinho, o meu amor...

Gosto de pensar que ela também habita zonas superiores.
E que um dia irei encontrá-la, mais cedo ou mais tarde.
Até lá, resta-me esperar, como a planta que espera para florescer.

domingo, 31 de julho de 2011

Ángel

Me dejo a su entera disposición.
Yo te protegeré de todo mal.
Voy a seguir sus pasos y si nescessário,
Voy camiñare em tu frente, a su protección.

Tú eres mi sueño inimaginable,
Eres una mortal, que me destruye.
Yo me opuse a los cielos para estar con usted
Y per usted, yo fue contra los ángelos y los demonios.

Me vino a la tierra, he perdido mis alas,
Ahora encaro a todos a su lado.
Per usted, yo enfrentare al mundo y todo lo demás,
Pero estar con usted, satisfas todos mis deseos, mis sueños y dolores.

Yo sólo pido que encanta me, nada más.
Siempre voy a ser su protector, su amante,
Su Ángel de la Guarda.

Insônia

Abro os olhos, mas nada enxergo.

Mais uma noite sem dormir. Com essa, completo duas semanas.
Acendo a luz do abajur e o relógio no criado-mudo me diz que ainda são 3 da manhã.

Sinto-me um lixo. É madrugada de sexta-feira, hoje completa dois meses que foste internada, dois meses de sofrimento... dois meses de solidão.

Tomo uma ducha morna e encaro o espelho embaçado, limpo-o com as mãos. Um homem de rosto pálido e com feições doentias me olha tristemente. Seus olhos fundos e cansados estão acomodados em grandes olheiras, sua pele pálida pelo cansaço e pela falta de sol lhe dá uma aparência quase que espectral.

‘Céus! Até que ponto alguém pode aguentar?’

            Não quero conhecer meu limite, nem chegar ao extremo. No armário da pia encontro a maleta de remédios que a tempos estava esquecida. Abro-a e minha mente, que a muito encontra-se distorcida, tem um momento sombrio.

Afogo-me em um coquetel de soníferos, calmantes e tranquilizantes. Sinto seu efeito tirar os meus sentidos, mas dessa vez, sinto algo a mais, um desconforto, um incômodo... Fecho os olhos, e não enxergo mais nada.


         Uma tristeza, um pensamento sombrio e um homem entorpecido, caído no chão de seu banheiro.