terça-feira, 25 de outubro de 2011

Padre

     'In nonime Patris, et Fílii, et Spitiui Sancto. Amen.' - Foram as suas ultimas palavras, dando por fim a cerimonia.
     Enquanto ele guardava a Santa Bíblia, tinha a vista privilegiada de seus atos sendo consumados pelas chamas que purificavam mais um herege. O brilho das chamas era gratificante em um inverno intenso como aquele, e os gritos nada mais eram do que o sinal de uma alma purificada. O êxtase que ele sentia era tanto, que o fez lembrar do monastério em que fora criado.
     'Pai, abençoado foi o dia em que me acolheu em seu meio e confiou em mim a missão de purificar a face da terra.'
     Ao final da Cerimônia na praça ele seguiu para a igreja, dirigiu-se a frente do altar e se ajoelhou.
     Era assim todas as manhãs, todos os dias. Pois sua purificação tinha que ser assim, pois seus pais foram fracos. Nascido de um casal de camponeses, foi adotado pelo convento ainda bebê quando seus pais foram a fogueira por heresia. Cresceu e estudou entre os padres do monastério até que se tornou um padre capacitado. Capacitado a proteger a população, a defender as palavras divinas, a santa igreja e a purificar as almas que eram hereges, assim como foram seus pais.
     Por isso ele tinha que se purificar todas as manhãs, para que o sangue que corria em suas veias não o fizesse cometer o mesmo delito de seus pais.
     'Per signum crucis, de inimicis nostris libera-nos Deus noster.'

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Jantar em família

   Todos juntos, família reunida a mesa para mais um jantar.
   Muitas conversas, risos, brincadeiras e a nostalgia sempre presente em um momento ou outro. Eu apenas observo enquanto mágicamente, faço meu copo de coca-cola ficar cada vez mais vazio. Dando, uma vez ou outra, um sorriso para concordar em algo.
   Os mais 'sábios' sempre felizes por verem a família reunida e, ao mesmo tempo, bravos por ser um jantar e eles quererem dormir, afinal já passa das 21h.
   Os pais, comentando sobre a vida, o trabalho e relembrando suas histórias de infância, enquanto os netos ficam mais afastados, rindo de todos os outros. Daquela tia chata, da prima sem noção, dos avós que sempre falam a mesma coisa em todos os almoços ou jantares em família.
   Eu apenas observo... tranquilamente... com calma... Minha família é boa, eu penso, temos nossas brigas, discussões, mas sempre estamos juntos.
   Encho meu copo novamente, afinal a noite ainda não acabou. Ainda tem refrigerante... ainda tem parentes... e os 'sábios' ainda estão acordados.