Era uma noite escura, assim como todas as outras. Ele era um viajante, assim como todos os demais. Porem, aquela região era diferente.
Alguns camponeses diziam ser amaldiçoada, outros que era abitada por demônios, mas ele em nada acreditava. Por ser um viajante era comum ouvir muitas lendas e histórias de maldições fajutas.
Era uma noite fria de outono e, por causa da lua minguante, ele caminhava com sua lanterna a mão, enquanto carregava seus pertences numa bolsa de couro em suas costas.
Para não se sentir solitário, tinha pegado o costume de caminhar cantarolando canções, das mais diversas regiões e dos mais diversos tipos. Cantava sobre amores, viagens, sentimentos e histórias de antigos heróis, mas sempre em um sussurro, pois assim como a noite trazia a paz e o silencio a suas viagens, as estradas também tinham seus próprios perigos que o espreitavam de perto em um silencio tão profundo como o escuro de uma noite de nuvens.
Enquanto caminha cantando uma música sobre uma bela jovem que estava a espera de seu amado, ele avistou uma luz tênue dentre as árvores a sua esquerda. Sua vivência o ensinara a ter esperteza suficiente para o fazer parar e ficar a espreita. A princípio, ele imaginou ser um outro andarilho, mas notou que a luz mudava de verde a um azul. Forçou seus olhos a focarem melhor o luz, ela possuía uma aparência espectral e se precipitava do chão.
Como nunca vira algo assim em todos os seus anos de viagens, ele deixou seus pertences em uma moita próxima a estrada e adentrou a mata, se aproximando cada vez mais da luz. Agora a uma pequena distância dela, ele a via nitidamente. Era como se fosse uma chama que flutuava do chão suavemente. Ele adorou a sua aparência suave e seus movimentos rústicos ao vento.
Se aproximou um pouco mais e encontrou uma terra fofa que fez seus pés afundarem alguns milímetros, no mesmo instante em que a luz aumentou o dobro do seu tamanho.
"Ignis Fatuus." - Uma voz ressoou cortando o silencio noturno. Seu corpo gelou, tanto pela luz quanto pela voz rouca.
"Ignis Fatuus... esse é o nome meu rapaz. Ignis... Fatuus."
Ele se virou e, para sua surpresa, um senhor estava parado a alguns passos atrás dele.
- Desculpe, mas o que é Ignis Fatuus?
"A luz que observa a algum tempo. Chamada por alguns de Luz dos mortos, Chama dos Lagos ou Pântanos."
Ele olhou novamente para a luz e a viu diminuir até desaparecer completamente. Voltou-se para o senhor, mas ele já não estava mais em parte alguma da floresta.
Enquanto ele voltava a caminhar pela estrada com todos os seus pertences, teve a certeza de que, pela primeira vez, encontrou uma história verdadeira.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Nos olhos de quem vê
Sempre tenha flores em seu quarto.
Sempre colha as flores antes do amanhecer,
Enquanto o orvalho ainda cai.
E quando o sol começar a raiar no horizonte
Abra a tua janela, deixe o raiar do sol entrar.
Sinta que a vida existe, sinta a sua beleza.
Deixe que as flores perfumem seu ambiente.
Deixe o sol do novo dia iluminar-te.
Abra o melhor dos teus sorrisos e saiba
Toda a beleza do mundo está nos olhos de quem vê.
sábado, 3 de setembro de 2011
Apenas uma troca de olhares
Veículos, paisagens e pessoas. Todos com seus propósitos, pensamentos e destino traçado.
É tudo o que se percebe do lado de dentro de um ônibus.
Sentado, vejo e escuto todos a minha volta. Suas conversas vão de trabalho a lazer, de gastronomia a desavenças familiares. É sempre assim.
Mas eis que alguém entra e atrai minha atenção. Meus olhos são atraídos para aquele rosto em específico por um motivo desconhecido até então. Nossos olhares se encontrar e tudo parece ficar mais lento. Ambos sucumbem a timidez e disfarçamos, mas é impossível conter aquele sorriso bobo.
Nos dez minutos q se seguem de viagem, o fluxo de pessoas impede que possamos nos ver novamente. Me levanto pois meu destino se aproxima. Ao chegar na porta de saída, como de costume olhei para trás e, novamente, nossos olhares se encontraram e se mantiveram pelo tempo que a nossa timidez deixou.
O ônibus para e a porta se abre. Eu desço enquanto o ônibus parte com todos os outros os outros. Embora somente eu tenha decido, aquela troca de olhares me acompanhou o dia inteiro.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A brisa na tempestade
E derrepente o tempo mudou. O Azul de um céu ensolarado se escureceu. As poucas nuvens brancas como algodão, foram varridas e substituídas por pesadas nuvens d chuva enegrecidas. E o vento... Aquela suave brisa que acariciava meu rosto tornou-se agressiva quando ventos fortes chegaram com a tempestade.
Enquanto todos tentavam se proteger de uma forte chuva que se tornava iminente, eu apenas parei e fiquei observando a maravilha da natureza.
O vento ficou mais forte e já podia-se ouvir os assovios que ele dava ao girar por perto.
Estava ficando mais frio, mas fui acometido, em plena ventania, por uma morna brisa, suave e calma de uma forma que chegava a ser acolhedora. Em meio a brisa, uma voz fez-se ouvir
“Estou voltando.”
A chuva desceu forte enquanto minha certeza aumentava e minha alegria me fazia sorrir.
-Ela está voltando... está voltando.
Enquanto saia dançando sob a tempestade q descia, deixei uma gargalhada de felicidade no ar.
-Irei te esperar, sempre.
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