domingo, 28 de agosto de 2011

Música de Eurídice


Veja e ouça os sinais... logo estarei de volta.
Sinta meu amor que será, acima de tudo o que existe, teu.
Quando a distância se fizer presente,
Quando sentir-te triste com minha ausência,
Veja a beleza da natureza, escute o som dos animais
E sinta que para sempre ei de viver por ti e para ti.

Jamais te abandonarei meu querido Orfeu,
Em nenhum momento estarás sós.
Mesmo que minha essência se desfaça,
Mesmo que tudo acabe,
Meu ser será eternamente teu.

domingo, 21 de agosto de 2011

Águas bombeadas por um Coração Azul


(Bruno Brechane)
Ser azul não é apenas ser calmo...
É sofrer também.

Como o mais formal dos reis sofre por não expressar suas emoções.
Como a rainha, é prisioneira de sua moralidade.

Um sentimento que os olhos não podem demonstrar.
Mas que o coração conhece bem.

Ele é uma parte de mim
Assim como a harmonia faz parte de um ser azul.

A harmonia de um ser que sente, que sabe que sente,
Mas que não se deixa ser.

Um ser azul... Não erra!
Mas também não se deixa errar.

Pois é um tanto científico...

Cheio de frases bonitas em seu vocabulário.
Mas sem ninguém em seu coração.

Busca inspiração em seus pontos fortes
Como em sua armadura de aço.

Que exibe sua beleza,
Sua resistência,
Sua maleabilidade diante das situações.

Mas mesmo assim...
Ele sabe que
Esconde o azul de sua frieza,
De sua dor,
E de sua tristeza.

É a armadura que protege...
E que ao mesmo tempo não permite as feridas de serem curadas.

Resta a ele chorar...

Mas escondido!
Para ninguém olhar.

Pois um coração vazio
É letal...
É um percurso de um longo rio
Que já não parece mais ter final.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Carvalho na colina


Ele subiu a colina. Nem se importava com a tempestade que ameaçada desabar sob o céu. Levava em suas mãos, uma pá e seu violão.
Ele prometera fazer aquilo quando ainda era criança, e agora que estava para partir, iria cumprir sua palavra.
Ao chegar ao topo da colina sentou-se, e pela ultima vez tocou sua música predileta. Se levantou e começou a cavar.
Quando a cova estava pronta, ele colocou seu violão deitado, e dentro dele, uma muda de carvalho que trouxe dentro de sua camisa.
Então ele plantou a muda em seu violão, e seu violão no alto da colina. Ele sabia que a vida não o deixaria voltar naquele lindo lugar, mas sabia que sua passagem ali seria eternizada pelo carvalho na colina.
A tempestade desceu, junto com uma lágrima.
Ele prometera a seu pai, e cumpriu sua palavra. Ele estava orgulhoso de ser alguém como seu pai, e desejou que ele estivesse ali, com ele.
Ele olhou aos céus, e disse:
"Pai, deixo seu violão no lugar que o senhor mais gostava. Deixo com ele a muda de seu grande sonho 'o carvalho na colina' e, como eu disse, cumpriria seu sonho. Agora seguirei o meu e levarei você sempre comigo.”

sábado, 13 de agosto de 2011

Final


Ninguém por perto, somente eu e a solidão.
Por que estou sempre só?
Até meu anjo já se foi.

Meus amigos me deixaram para trás.
O que houve comigo?

Onde está você?
Sempre te procurei,
A anos nesta busca incansável.
Mas uma hora tudo irá terminar,
E minha busca chegará ao fim.

Quando meu corpo enfim tocar o chão,
A dor me libertará desta busca.
E a morte me salvará de você.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Auto desprezo


Manhã de quinta, o sol começa a derramar seu brilho sobre a cidade. A claridade que afasta o breu noturno revela a solidão e a tristeza, o desprezo e a indignação.
            Ela estava sentada na calçada, do lado de um motel de quinta, no subúrbio da cidade. Pela primeira vez, ela odiou o sol nascente. Ele revelava ao mundo o seu estado deplorável.
            Seus cabelos estavam espessos de sujeira e suas roupas estavam esfarrapadas. O único indício de vaidade que lhe restava era um batom vermelho em seus lábios, que por sinal, era muito forte e não ajuda a melhorar a sua aparência.
            Ela pegou sua pequena bolsa, retirou um maço de cigarros e riu, sarcasticamente, ao constatar que só tinha mais um cigarro. Com um fósforo, acendeu seu ultimo pertence, o olhou, e começou a tragar sua ultima regalia.
            Em um impulso de raiva e desprezo, ela atirou sua bolsa no asfalto da avenida que se estendia a sua frente. Ela tinha consciência de seu estado, e sabia que a vida a venceu. Antes, era uma moça de uma família simples, agora uma indigente, uma andarilha que sentia ódio por ser quem era e por ter se entregado sem ter ao menos lutado.
            Seu cigarro acabou, o sol já estava alto e a cidade estava ativa.
            Ela se levantou com alguma dificuldade pela quantidade de tempo que passou sentada na calçada fria, arrumou sua saia até os joelhos, foi até a avenida e pegou sua bolsa.
            Um carro quase a atropela. Ela xinga o motorista, pragueja o sol, a cidade e a ela mesma, enquanto vai em busca de um novo lugar para ficar.

Ceifador


Quem sois vós?
Que prepara a chegada da morte,
Que deixa vossa triste marca por onde passa.

Quem pensas que é?
Que direito tens para agir assim?
Quem deu a vós este dom?

Deixaste vossa marca novamente.

Mais uma vida condenada,
Mais um ser em sua lista.

Será que vós sois um colecionador?
Ou será que somente condena os vivos?

Marcaste mais um.
Um condenado sem culpa,
Sem poder se defender.
Mas condenado a morte.

Vosso trabalho não é digno,
Mas faz-se necessário.
Vós sois o Ceifador de Almas,
A última visita que receberemos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Vida, Rosas e Esperanças.

(Bruno Brechane)
Em um mundo vasto de tranquilidade, eu vi senhor,
Um anjo que estava dando uma olhada nas minhas rosas.
Parecia estar tão alegre, sorrindo,
Como se a vida fosse de eterna gratidão...
Como se a vida fosse um mar de rosas.

Eis então que o perguntei, o porquê de estar lá.
E ele me disse sorrindo:
Meu caro, suas rosas são lindas. Elas tem o aroma da minha querida amada,
Que hoje habita zonas superiores a esta.
Mas não se engane. Esse lugar é maravilhoso, digno de você.

E eu então, comovido com as belas palavras do senhor anjo,
Parei para olhar tudo a minha volta.
Realmente... era tudo maravilhoso.
O vento soprava... Vagarosamente. Trazendo polens e esperança.
A esperança, de ter uma amada, que tivesse um sorriso tão lindo quanto os dos anjos.
Para que eu pudesse lhe dar as minhas rosas... O meu carinho, o meu amor...

Gosto de pensar que ela também habita zonas superiores.
E que um dia irei encontrá-la, mais cedo ou mais tarde.
Até lá, resta-me esperar, como a planta que espera para florescer.