domingo, 31 de julho de 2011

Insônia

Abro os olhos, mas nada enxergo.

Mais uma noite sem dormir. Com essa, completo duas semanas.
Acendo a luz do abajur e o relógio no criado-mudo me diz que ainda são 3 da manhã.

Sinto-me um lixo. É madrugada de sexta-feira, hoje completa dois meses que foste internada, dois meses de sofrimento... dois meses de solidão.

Tomo uma ducha morna e encaro o espelho embaçado, limpo-o com as mãos. Um homem de rosto pálido e com feições doentias me olha tristemente. Seus olhos fundos e cansados estão acomodados em grandes olheiras, sua pele pálida pelo cansaço e pela falta de sol lhe dá uma aparência quase que espectral.

‘Céus! Até que ponto alguém pode aguentar?’

            Não quero conhecer meu limite, nem chegar ao extremo. No armário da pia encontro a maleta de remédios que a tempos estava esquecida. Abro-a e minha mente, que a muito encontra-se distorcida, tem um momento sombrio.

Afogo-me em um coquetel de soníferos, calmantes e tranquilizantes. Sinto seu efeito tirar os meus sentidos, mas dessa vez, sinto algo a mais, um desconforto, um incômodo... Fecho os olhos, e não enxergo mais nada.


         Uma tristeza, um pensamento sombrio e um homem entorpecido, caído no chão de seu banheiro.

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