Sua pele que sempre foi dourada de sol está pálida como a neve. Vossos lábios que sempre foram vivos e sorridentes, agora repousam quietos e lívidos entre os gemidos de seu sofrimento. E vossos olhos? Já não são mais os mesmos. Vós que sempre tiveste brilhos nos olhos, os tem opacos, quase sem vida.
Sua face que sempre foi bela e amorosa está com um triste feitio. Vossa doença lhe castigou minha doce Amélia.
Recordo-me quando, ainda em casa, a morfina e o chocolate nos ajudavam a esquecer o pior, mesmo que por pouco tempo.
Mas o tempo foi impiedoso conosco. Nossas brincadeiras e nossas viagens foram substituídas por remédios e idas ao hospital. Nossos passeios semanais ao parque foram substituídos por internações e sessões de quimioterapia.
-Agora, aqui com você neste hospital percebo o quanto somos felizes.
“Mas você perdeu sua vida ao meu lado. E Agora fica somente comigo neste hospital, deves me odiar por ter adoecido.” – Disse-me em um sussurro.
-Não se esforce querida e nem se preocupe. Nenhum hospital, doença ou tristeza irá me fazer te abandonar ou esquecer tudo o que vivemos. E eu te amo, como poderia te odiar? Eu sempre estarei ao seu lado, em todos os momentos, ‘na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença’...
“‘...ou até que a morte nos separe.’” –Completa Amélia com um sorriso amargo.
-Não diga isso querida, seu estado está estável, só um pouco mais de repouso e logo voltará para nossa casa. –Seguro sua mão com delicadeza.
A enfermeira entra com a bandeja de medicamentos, me dá um sorriso terno e vai ao balcão para efetuar seus afazeres.
“Acho que vou voltar a dormir. Ela não gosta de me ver acordada.” –Diz com um leve sorriso indicando a enfermeira.
-Ela apenas quer que você descanse e se recupere. Deves estar cansada de ficar aqui.
“Sim, acho que preciso de um descanso.”
Os remédios intravenosos fazem seu efeito. E minha Amélia cai em um sono entorpecido. Sua enfermeira sai do leito com sua bandeja, e eu derramo minhas lágrimas sentado na poltrona.
Minha doce Amélia; sempre foste meu porto seguro, mas agora eu preciso ser o teu.
Preciso ser forte e te dar esperanças, mesmo que para isso tenha que lhe esconder que sua doença se agravou e que as expectativas de melhoras são remotas.
Minhas lágrimas pesam.
Um doce sorriso se forma em sua face, causado por um torpe sonho. Ele me dá forças para aguentar minhas lágrimas.
Sou obrigado a deixar minha doce Amélia. Ironicamente, a vida continua sem nenhum respeito a sua dor ou sofrimento.
-O mundo é tão cruel quanto sua doença. –Digo dando-lhe um beijo em despedida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário